Aos felizes saudosistas de plantão, o melhor filme nacional do ano!
Não, caros amigos (não ficou bom, muito Galvão), amantes da sétima arte. Não estamos falando de uma obra prima que entrará para a história eternamente permanente do cinema. Mas para aqueles que amam cinema retrô, anos 50 e comédias pastelão com diálogos rebuscados e previsíveis (clássico dos filmes da época), será um deleite.
Reis e Ratos conta a história do agente norte americano Troy Sommerset, Selton Mello, que mora a algum tempo no Brasil e tenta mudar os rumos da política nacional. A fita vai se desenrolando de forma documental, como nos filmes narrados da década de 50, mas nunca perdendo a pegada cômica. Troy é amigo do major Esdras, do exercito brasileiro, personagem de Otávio Müler, com quem vai maquinando as possíveis mudanças do cenário político nacional, embora de forma bem confusa e engraçada, quem sabe o que poderá acantecer.
O filme é, em si, impagável. Cenário bem produzido, falas afiadas, atores em ótimas performances e uma história bem legal. Quando você consegue perceber tudo isso você vê que Reis e Ratos não tem a pretensão de ser rotulado, mas apreciado.
Os diálogos não tem o menor pudor em fazer referência a filmes já vistos e revistos pelo grande público, assim como a apresentação caricata dos personagens. Veremos cenas do tipo:
Major Esdras: “Se o senhor tiver uma sala escura, uma parede branca e com café bem forte eu prometo que seremos bem breves.”
Troy Sommerset: “E um analgésico, porque a minha enxaqueca veio com a força de um maldito tufão no Golfo do México.”
Estão todos ótimos. Fica um destaque especial para os dubladores/atores Hélcio Romar e Hélio Ribeiro, que fazem aqui o presidente e o embaixador. É impossível ouvir seus personagens sem lembrar dos velhos filmes de “sessão da tarde”.
Também estão ótimos Cauã Reymond, como um psico vidente paranormal Hervé, que serve se parabólica de uma experiência soviética, Rodrigo Santoro, como o vigarista Ronny Rato está irreconhecível por diversas vezes, consequência de uma maquiagem bem feita e uma prótese dentária (pavorosa!) e Rafaela Mandelli que faz Amélia Castanho, uma cantora de boate, protituta que foi recrutada no interior do Rio Grande do Sul por Rato.
Para os mais atentos ficará evidente as referencias a Dr. Fantástico, mas principalmente ao momento político e uma possível explicação de porque o EUA não interferiram num regime totalitário se instalando na América latina, no que se configurou, mais tarde, no período negro de nossa história.
Quem viveu aquele período certamente vai adorar a frase do major Esdras: “Estou me sentindo parte de uma opereta épica e mal escrita”
Recomendo!
