quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Cinesercla – Pátio Mix Teixeira de Freitas


Tenho acompanhado um fenômeno pra mim estranho, mas que tem afetado nossos dias com regularidade desde os protestos do ano passado, “o opineiro idiota”.

Ele ataca com mais frequência nos momentos oportunos, mas vem encontrando brecha para regularidade no desconhecimento e no medo que afligem aos menos informados, que diferentemente dele, preferem se calar quando não sabem sobre algo.

Poderia aqui falar sobre os protestos nas ruas, das propagandas “políticas”, mas prefiro me ater à inauguração do novo shopping e consigo o cinema (Cinesercla) de Teixeira de Freitas.

Outro dia estava no banco (o que prefiro não frequentar), esperando na fila, quando ouvi duas pessoas conversando:

“Você já foi no shopping novo?”  (1 dia de inaugurado)

“Fui!”

“Ruim, não achou?” (a conversa nem começou e já não vai bem).

“Uma porcaria! Nada de novo! As mesmas lojas!” (O novo shopping inaugurou Riachuelo, Marisa, Le Bisquit, C&A, Samsung, Konyk, Colombo, Carmen Steffens... e por aí vai – só pra citar algumas das que não existiam na cidade.).

“E o cinema? Tudo velho!” (inaugurou com a estreia nacional de Drácula- a história nunca contada, Annabelle, um outro que não me lembro ao certo, mas acho que foi Candidato Honesto, na semana seguinte Tim Maia, A Mansão Mágica, Made in China, e para minha felicidade Interestrelar – que será tema de nosso próximo post. Essa semana já estreou Débi  Lóide 2.)

“Esse shopping não dura nada! Logo logo fecha!”


Fiquei de cá pensando com meus botões imaginários: Realmente! O futuro da nação!
Não tenho nada contra ao achismo de ninguém. Vivemos em uma sociedade, até onde se supõe livre e democrática. Mas pra quem? Serve a quem essa tal liberdade? Quem vive nela? Dela... Direito eles tinham de dizer o que quisessem, e não é isso que me incomoda. Me estranha, cada vez mais, as pessoas defenderem o que não conhecem, afirmarem assertivas que nem chegam a ser verdade.

O Cine Teixeira, tão criticado de sempre, talvez seja o cinema mais antigo em atividade no interior da Bahia desde sua inauguração em Dezembro de 1996, e por mais que tenha seus muitos defeitos, sempre atendeu às necessidades de uma clientela pequena, e por vezes incompreensiva. Itabuna, Vitória da Conquista e Feira de Santana, nessa época, não tinham cinema (logicamente excetuando-se os tempos de ouro do cacau). Não bastasse isso, hoje, Teixeira conta com 895 lugares de cinema dividido nas 4 salas do Cinesercla e nas 2 do Cine Teixeira. O que acredito ser a maior disponibilidade de lugares do interior.

Reclamam dos preços, mas nos dias promocionais temos ingressos a 7,00 e 8,00 reais. Reclamavam da qualidade, mas hoje temos 3 salas de cinema 3D.

Tudo bem que o atendimento ainda está a desejar e faltar troco pra venda é muita falta de atenção, mas convenhamos que no calor de uma inauguração muitas coisas se atrapalham. A falta de experiência ainda atravanca, mas sejamos mais participativos que inquisitivos.

Não estou aqui fazendo campanha pra ninguém! Nem ganho pra isso!

Apenas apelo ao seu bom senso!

Vida longa às quatro salas de cinema de Teixeira de Freitas.


Storto.’. 19-11-14

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Inquietos (Restless - 2011)



A Fita

Enoch Brae (Henry Hopper - filho do Dennis mesmo) é um jovem que perdeu os pais em um acidente de carro. Sente-se culpado por não ter enterrados os pais, já que estava em coma por causa do mesmo acidente. Mora com a tia, a quem culpa pelo acidente, e para suprimir o sentimento de perda, criou a mania de ir em enterros alheios. Em um desses conhece Annabel (Mia Wasikowska - Alice no País das Maravilhas), uma garota espontânea e engraçada que tem pouco tempo de vida. Ele também tem como amigo Hiroshi Takahashi (Ryõ Kase), o fantasma de um piloto kamikase japonês da II Guerra Mundial.

Gus Van Sant (Gênio Indomável, Elephant e mais recentemente Milk) é conhecido por sua irregularidade como diretor. Seus melhores trabalhos geralmente trazem uma temática mais pesada, com uma abordagem mais ácida. Aqui, reflete um tom ameno e simpático, tentando transpor para a tela, de forma suave, uma análise mais humana sobre o câncer e os problemas existenciais relacionados à culpa.

A trama transcorre toda em volta do casal principal, que não compromete. Chama a atenção como não foi dado um aprofundamento maior aos personagens, parte em que diretor e roteirista pecam. A direção de arte é bonitinha e tenta dar um tema meio Sorderbergh às tomadas. A fotografia é bem feita e apropria um tom melancólico gélido à fita.

Como passa-tempo, Inquietos traz uma sensação de quietude que cativa o peito(...), e vai agradar jovens e casais apaixonados.

Psico

Todo filme relacionado à processos de desencarne (morte), geralmente, são dramas densos e difíceis de se assistir. Inquietos tem essa beleza suave que surpreende pelo contrário. Muito do que Juno (2007) fez, só que nesse caso relacionado à gravidez na adolescência.

O câncer já figura entre as doenças que mais matam na atualidade, e muito pouco é feito no sentido da prevenção e da informação (mesmo que pensemos viver no tempo da informação fácil - o não deixa de ser verdade-, é importante lembrarmos que ela não chega a todas as classes, além de ser de relativa importância).

Fora a doença e o romance, fica a lembrança do doar-se, o que pra mim foi o mais bonito na fita. Já repararam como algumas pessoas conseguem se doar inteiramente para outras? Geralmente não nos perguntamos como nossos pais vivem tão bem a vida toda, ou como amigos continuam a se falar mesmo à distância. Embora eu acredite ser, bem lá no fundo, ainda uma ação egoísta, "achar no outro o que me faz tão bem e fazer tão bem a alguém", talvez ainda seja a chave.

Recomento! (3,0)

RStorto.`.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Paraísos Artificiais (2012)



A Fita

Paraísos Artificiais pode causar incômodo para os desavisados expectadores de filmes lineares. Com cor vibrante e cenas (muito) apimentadas.

A história é toda contada em flashback narrativo constante, sem aviso e sem cortes expressivos, sendo possível sua fácil percepção diferenciando cenários como Amsterdã e as praias do Recife, mas dificultando quando conta histórias precedentes no Rio de Janeiro ou tentando representar o período atual da história.

Nando (Luca Bianchi), acaba de sair da prisão, e chegando em casa encontra uma mãe fumante e debilitada, tentando criar seu irmão mais novo, rebelde e que tem no meio de suas coisas um pacote de ecstasy. Logo o expectador perceberá que a história de Nando esteve entrelaçada com Erika (Nathalia Dill), uma DJ de boates e raves e sua amiga Lara (Lívia de Bueno).

A fita é extremamente bem executada por Marcos Prado, que aqui assume a patente de diretor do longa, realizando com ótima perícia. Antes produtor do Tropa de Elite, junto dom José Padilha, que aqui produz juntamente com o amigo, Prado consegue transpor para a tela de forma primorosa o universo paralelo das raves, tratando de temas complicados como o uso de drogas e as responsabilidades na juventude.

A fotografia e iluminação primorosos. Um ponto forte da fita. As cenas em Amsterdã colocam um charme a mais na produção, que procurou para o filme representações do cotidiano. Mas fica a cargo o roteiro e da montagem o truque de mestre, que transforma Paraísos Artificiais numa história realmente memorável.

Psico

Não quero aqui tratar sobre o tema das drogas, pois, independente do que é representado no filme  acredito que cada um faz da vida o que bem entender, assumindo a responsabilidade pelas consequencias do que acontecer.

Justamente por isso acredito que a fita tem uma mensagem tão interessante. Nada pode ser tão importante em nossa vida quanto as escolhas que fazemos. "Eu sou o que eu quero ser". Se pensarmos que somos as escolhas que fazemos, encontramos a chave para a vida que se quer ter. Claro que isso não nos livra do inesperado! Vão acontecer muitas coisas que não queremos, mas tudo depende de como escolhemos sair disso.
 
O filme trata de muito bem de temas espinhentos como o uso, cada vez mais popular, de drogas (sintéticas ou não), liberdade sexual, relação familiar e social, trafico internacional... tudo isso rodeado por várias histórias de amor (pai e filho, possíveis namorados, amigos, irmãos) que vão se construindo conforme a trama se desenrola.

Recomendo (3,5)

RStorto.`.

Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain - 2013)


 A Fita
Complicado falar do que não gosto. Melhor falar que não gosto e pronto né? Como diria Gabriel - O Pensador: "Vai que eu peso a mão".
Mas como não poderia ser diferente, Sem dor, sem ganho é ruim. Concordo que Michael Bay é ótimo em blockbusters, e é uma pena que ele tenha esperado tanto pra fazer esse filme, e que até mesmo por conta da expectativa (dele) tenha ficado tão ruim.
O filme é uma mistura esquisita de história real, tragédia (mortes), comédia (como se isso fosse possível na tragédia) e apelos cinematográficos e sociais. Todos os atores estão bem abaixo do normal (o que já é normal no caso do Dwayne Johnson, mas que aqui foi o melhorzinho), e quase sempre caricatos, tentando fugir a essa ultima o Ed Harris, que não tem tempo pra se complicar tanto.
A história versa sobre como Daniel Lugo (Mark Wahlberg) um marombado viciado em fitness, vislumbrando o "sonho americano" e seguindo um asiático estranho (aqui uma crítica aos palestrantes de auto ajuda), recruta Adrian Doorbal (Anthony Mackie), e o ex-presidiário Paul Doyle (Dwayne Johnson) para realizar um seqüestro e ficarem ricos. Tudo sai errado quando a vítima, Victor Kershaw (Tony Shalhoub, da série Monk) descobre Daniel, e as complicações começam.

Psico
Em quase tudo a Fita se compromete, incrivelmente, justamente por ser uma história real, o que é lembrado durante o filme (até aqui uma sacada legal), mas além de longo o filme não passa de um documentário propaganda de violência gratuita.
Dito isso cabe observar que se olharmos bem, ele tenta, ainda que timidamente, traçar uma crítica a todo modo de vida norte americano, indicando de forma espalhafatosa e inversa, como a propaganda e a educação são importantes para a construção de um cidadão "crítico". Frases como: "Sou forte, sou gostoso, eu acredito em malhar... No país mais sarado e bombado, é preciso ter objetivo e se dar bem", expressão alguma coisa que prefiro não comentar...

Não recomendo (1,5)

RStorto.`.