sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Inquietos (Restless - 2011)



A Fita

Enoch Brae (Henry Hopper - filho do Dennis mesmo) é um jovem que perdeu os pais em um acidente de carro. Sente-se culpado por não ter enterrados os pais, já que estava em coma por causa do mesmo acidente. Mora com a tia, a quem culpa pelo acidente, e para suprimir o sentimento de perda, criou a mania de ir em enterros alheios. Em um desses conhece Annabel (Mia Wasikowska - Alice no País das Maravilhas), uma garota espontânea e engraçada que tem pouco tempo de vida. Ele também tem como amigo Hiroshi Takahashi (Ryõ Kase), o fantasma de um piloto kamikase japonês da II Guerra Mundial.

Gus Van Sant (Gênio Indomável, Elephant e mais recentemente Milk) é conhecido por sua irregularidade como diretor. Seus melhores trabalhos geralmente trazem uma temática mais pesada, com uma abordagem mais ácida. Aqui, reflete um tom ameno e simpático, tentando transpor para a tela, de forma suave, uma análise mais humana sobre o câncer e os problemas existenciais relacionados à culpa.

A trama transcorre toda em volta do casal principal, que não compromete. Chama a atenção como não foi dado um aprofundamento maior aos personagens, parte em que diretor e roteirista pecam. A direção de arte é bonitinha e tenta dar um tema meio Sorderbergh às tomadas. A fotografia é bem feita e apropria um tom melancólico gélido à fita.

Como passa-tempo, Inquietos traz uma sensação de quietude que cativa o peito(...), e vai agradar jovens e casais apaixonados.

Psico

Todo filme relacionado à processos de desencarne (morte), geralmente, são dramas densos e difíceis de se assistir. Inquietos tem essa beleza suave que surpreende pelo contrário. Muito do que Juno (2007) fez, só que nesse caso relacionado à gravidez na adolescência.

O câncer já figura entre as doenças que mais matam na atualidade, e muito pouco é feito no sentido da prevenção e da informação (mesmo que pensemos viver no tempo da informação fácil - o não deixa de ser verdade-, é importante lembrarmos que ela não chega a todas as classes, além de ser de relativa importância).

Fora a doença e o romance, fica a lembrança do doar-se, o que pra mim foi o mais bonito na fita. Já repararam como algumas pessoas conseguem se doar inteiramente para outras? Geralmente não nos perguntamos como nossos pais vivem tão bem a vida toda, ou como amigos continuam a se falar mesmo à distância. Embora eu acredite ser, bem lá no fundo, ainda uma ação egoísta, "achar no outro o que me faz tão bem e fazer tão bem a alguém", talvez ainda seja a chave.

Recomento! (3,0)

RStorto.`.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Paraísos Artificiais (2012)



A Fita

Paraísos Artificiais pode causar incômodo para os desavisados expectadores de filmes lineares. Com cor vibrante e cenas (muito) apimentadas.

A história é toda contada em flashback narrativo constante, sem aviso e sem cortes expressivos, sendo possível sua fácil percepção diferenciando cenários como Amsterdã e as praias do Recife, mas dificultando quando conta histórias precedentes no Rio de Janeiro ou tentando representar o período atual da história.

Nando (Luca Bianchi), acaba de sair da prisão, e chegando em casa encontra uma mãe fumante e debilitada, tentando criar seu irmão mais novo, rebelde e que tem no meio de suas coisas um pacote de ecstasy. Logo o expectador perceberá que a história de Nando esteve entrelaçada com Erika (Nathalia Dill), uma DJ de boates e raves e sua amiga Lara (Lívia de Bueno).

A fita é extremamente bem executada por Marcos Prado, que aqui assume a patente de diretor do longa, realizando com ótima perícia. Antes produtor do Tropa de Elite, junto dom José Padilha, que aqui produz juntamente com o amigo, Prado consegue transpor para a tela de forma primorosa o universo paralelo das raves, tratando de temas complicados como o uso de drogas e as responsabilidades na juventude.

A fotografia e iluminação primorosos. Um ponto forte da fita. As cenas em Amsterdã colocam um charme a mais na produção, que procurou para o filme representações do cotidiano. Mas fica a cargo o roteiro e da montagem o truque de mestre, que transforma Paraísos Artificiais numa história realmente memorável.

Psico

Não quero aqui tratar sobre o tema das drogas, pois, independente do que é representado no filme  acredito que cada um faz da vida o que bem entender, assumindo a responsabilidade pelas consequencias do que acontecer.

Justamente por isso acredito que a fita tem uma mensagem tão interessante. Nada pode ser tão importante em nossa vida quanto as escolhas que fazemos. "Eu sou o que eu quero ser". Se pensarmos que somos as escolhas que fazemos, encontramos a chave para a vida que se quer ter. Claro que isso não nos livra do inesperado! Vão acontecer muitas coisas que não queremos, mas tudo depende de como escolhemos sair disso.
 
O filme trata de muito bem de temas espinhentos como o uso, cada vez mais popular, de drogas (sintéticas ou não), liberdade sexual, relação familiar e social, trafico internacional... tudo isso rodeado por várias histórias de amor (pai e filho, possíveis namorados, amigos, irmãos) que vão se construindo conforme a trama se desenrola.

Recomendo (3,5)

RStorto.`.

Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain - 2013)


 A Fita
Complicado falar do que não gosto. Melhor falar que não gosto e pronto né? Como diria Gabriel - O Pensador: "Vai que eu peso a mão".
Mas como não poderia ser diferente, Sem dor, sem ganho é ruim. Concordo que Michael Bay é ótimo em blockbusters, e é uma pena que ele tenha esperado tanto pra fazer esse filme, e que até mesmo por conta da expectativa (dele) tenha ficado tão ruim.
O filme é uma mistura esquisita de história real, tragédia (mortes), comédia (como se isso fosse possível na tragédia) e apelos cinematográficos e sociais. Todos os atores estão bem abaixo do normal (o que já é normal no caso do Dwayne Johnson, mas que aqui foi o melhorzinho), e quase sempre caricatos, tentando fugir a essa ultima o Ed Harris, que não tem tempo pra se complicar tanto.
A história versa sobre como Daniel Lugo (Mark Wahlberg) um marombado viciado em fitness, vislumbrando o "sonho americano" e seguindo um asiático estranho (aqui uma crítica aos palestrantes de auto ajuda), recruta Adrian Doorbal (Anthony Mackie), e o ex-presidiário Paul Doyle (Dwayne Johnson) para realizar um seqüestro e ficarem ricos. Tudo sai errado quando a vítima, Victor Kershaw (Tony Shalhoub, da série Monk) descobre Daniel, e as complicações começam.

Psico
Em quase tudo a Fita se compromete, incrivelmente, justamente por ser uma história real, o que é lembrado durante o filme (até aqui uma sacada legal), mas além de longo o filme não passa de um documentário propaganda de violência gratuita.
Dito isso cabe observar que se olharmos bem, ele tenta, ainda que timidamente, traçar uma crítica a todo modo de vida norte americano, indicando de forma espalhafatosa e inversa, como a propaganda e a educação são importantes para a construção de um cidadão "crítico". Frases como: "Sou forte, sou gostoso, eu acredito em malhar... No país mais sarado e bombado, é preciso ter objetivo e se dar bem", expressão alguma coisa que prefiro não comentar...

Não recomendo (1,5)

RStorto.`.