A Fita
Enoch Brae (Henry Hopper - filho do Dennis mesmo) é um jovem que
perdeu os pais em um acidente de carro. Sente-se culpado por não ter enterrados
os pais, já que estava em coma por causa do mesmo acidente. Mora com a tia, a quem culpa pelo acidente,
e para suprimir o sentimento de perda, criou a mania de ir em enterros alheios. Em um
desses conhece Annabel (Mia Wasikowska - Alice no País das Maravilhas), uma
garota espontânea e engraçada que tem pouco tempo de vida. Ele também tem como amigo Hiroshi
Takahashi (Ryõ Kase), o fantasma de um piloto kamikase japonês da II Guerra
Mundial.
Gus Van Sant (Gênio Indomável, Elephant e mais recentemente Milk)
é conhecido por sua irregularidade como diretor. Seus melhores trabalhos geralmente
trazem uma temática mais pesada, com uma abordagem mais ácida. Aqui, reflete um
tom ameno e simpático, tentando transpor para a tela, de forma suave, uma
análise mais humana sobre o câncer e os problemas existenciais relacionados à
culpa.
A trama transcorre toda em volta do casal principal, que não
compromete. Chama a atenção como não foi dado um aprofundamento maior aos
personagens, parte em que diretor e roteirista pecam. A direção de arte é
bonitinha e tenta dar um tema meio Sorderbergh às tomadas. A fotografia é
bem feita e apropria um tom melancólico gélido à fita.
Como passa-tempo, Inquietos traz uma sensação de quietude que
cativa o peito(...), e vai agradar jovens e casais apaixonados.
Psico
Todo filme relacionado à processos de desencarne (morte), geralmente, são
dramas densos e difíceis de se assistir. Inquietos tem essa beleza suave que
surpreende pelo contrário. Muito do que Juno (2007) fez, só que nesse caso
relacionado à gravidez na adolescência.
O câncer já figura entre as doenças que mais matam na atualidade,
e muito pouco é feito no sentido da prevenção e da informação (mesmo que
pensemos viver no tempo da informação fácil - o não deixa de ser verdade-, é
importante lembrarmos que ela não chega a todas as classes, além de ser de
relativa importância).
Fora a doença e o romance, fica a lembrança do doar-se, o que pra
mim foi o mais bonito na fita. Já repararam como algumas pessoas conseguem se
doar inteiramente para outras? Geralmente não nos perguntamos como nossos pais
vivem tão bem a vida toda, ou como amigos continuam a se falar mesmo à distância.
Embora eu acredite ser, bem lá no fundo, ainda uma ação egoísta, "achar no
outro o que me faz tão bem e fazer tão bem a alguém", talvez ainda seja a
chave.
Recomento! (3,0)
RStorto.`.




